"Ontem, por incrível que pareça, todos os lugares que pisei eu te procurei. Fiquei feliz em poder sentir tua falta - a falta mostra o quão necessitamos de algo ou alguém. É assim o nosso ciclo. Eu te preciso. Perto, longe, tanto faz. Me faz bem pensar nessas atividades corriqueiras, que supostamente você está fazendo. Ah, e eu estou te esperando, com meu coração pulsando forte, e quero te abraçar até sentir o mundo girar apenas para nós. É, eu gosto muito de ti."
"Porque me deu agora de repente uma vontade danada de abraçar você, mas de corpo presente e ficar junto, sem assunto, deixando a vida passar."
"[…] Às vezes, com uma jogada do destino, a reciprocidade é tanta quanto o sentimento; mas isso meu caro, é coisa rara."
"Faz um ano que entre risos, abraços e listinhas de pedidos infantis, pedi sorrindo que durasse. Enquanto meio mundo pedia mudança eu só queria que durasse mais, não tinha um centavo na bolsa, nenhuma promessa de futuro rico e fértil, nada, não tinha nada além de uma dúzia de amigos supostamente eternos. Nada além de uns beijos descompromissados e um futuro largo e inesperado feito o mar. Não pedi quase nada a papai do céu além daquilo. Além daquelas tardes fartas de riso e de carinho, e daquelas noites com música alta e energia inacabável. É. O que veio foi um pouco diferente. Mas a empresa não aceita devolução… Você me pergunta o que eu fiz… Eu fugi. Já me disseram que é o que faço de melhor… Fugir. Pra tudo que encontrei pela frente. O motivo não me pergunte, não me interessa mais. Mas fugi pra corpos insaciáveis, pra doses fortes, fumaça, tragos proibidos, olhares também, fugi pra música alta, pra silêncios que me dei direito. Fugi principalmente pra escrita… Depois de escrever inúmeras cartas, engavetei todas e fui ler outras coisas. Há dores maior do que as minhas, sempre soube… não que isso fizesse parar de doer, sou passional demais pra isso. Mas tinha sempre em mente que cada dor era responsabilidade minha, e que nem o causador poderia curar. Só eu. Eu e meus trapos, eu e meus sonhos frustrados, eu e meu corpo mirrado. Era só eu. E sempre soube. Teve gente bonita que não desistiu de mim. Foram poucos, mas desses não abro mão. Teve aquele ombro que não escapou quando desabei chorando nele no meio da praça. Que aguentou meus porres e minha prepotência. Que suportou meus olhos tristes. Teve muita gente sem resposta quando quis saber se eu tava bem. Teve tentativa de conversão, macumba, espírita, ateísta, cristã. Teve desespero, tanto desespero… E confissão. Mas teve brinde também, sempre quis paciência, e veio enrolada no caos, só tive que desembaraçar devagar. Pequeneninha pequeneninha foi surgindo, resgatei junto alguma doçura, algumas levezas. E quase fui a mesma que há um ano atrás. Mas tem jeito não, tem jeito não, não sou mais. Dessa vez espero que o pedido chegue aí. Não piora não… não deixa piorar não. Não toma minha força que arranquei de tanta cicatriz. Não arranca o resto de fé que me permite acreditar que ainda vale a pena habitar esse hospício. Não me toma quem ficou, que não sei se sei ficar sem eles. E de resto… ajuda quem realmente precisa que minhas dores são internas e só eu que sei lidar. Sara a fome, passa o frio, distribui fé. Comigo eu vou lidando. Tenho que lidar, não tem devolução. Não faz eu me refazer inteira de novo que não sei se consigo mais. Não precisa levar tão a sério isso de coisa nova, ano novo, deixa assim que eu melhoro, só não piore."
"Já era, já fui. Me espera, amor!"
- Projota
"Mas se um dia eu me for, numa onda vou voltar."
- Armandinho
"Se está aonde você quer estar, dentro de um sonho, ou sozinha em qualquer lugar."
- Esteban.